
A queda de cabelo é, quase sempre, um problema multifatorial. Raramente existe uma única causa isolada — o que existe é uma combinação de fatores que, juntos, alteram o ciclo de crescimento do fio. Por isso qualquer conversa honesta sobre queda começa reconhecendo essa complexidade.
Uma confusão muito comum entre brasileiros que chegam à Europa é acreditar que a água é a única responsável pela queda. Isso não é verdade. A água dura contribui principalmente para a quebra dos fios ao longo do comprimento — algo diferente da queda pela raiz, que envolve o folículo capilar e tem outras origens. Para entender esse mecanismo em detalhe, veja o artigo Água Dura e Calcário.
Quebra é diferente de queda
Quando o fio se rompe no meio do comprimento e você encontra pedaços curtos na escova ou no chão, geralmente é quebra — um problema de estrutura da fibra. Quando o fio cai inteiro, com a raiz (aquela bolinha branca ou clara na ponta), é queda pela raiz — um sinal ligado ao folículo, ao couro cabeludo e ao organismo como um todo. Tratar as duas coisas da mesma forma raramente funciona.
O que pode estar por trás da queda
A queda capilar pode estar relacionada a uma série de fatores, isolados ou combinados:
- Predisposição genética e diferentes tipos de alopecia (androgenética, areata, difusa, cicatricial, entre outras).
- Alterações hormonais: tireoide, pós-parto, menopausa, ciclo menstrual, uso ou interrupção de anticoncepcionais.
- Deficiências nutricionais: ferro, ferritina, vitamina D, vitamina B12, zinco, proteínas.
- Estresse físico e emocional, incluindo o eflúvio telógeno que costuma aparecer semanas ou meses depois de um evento marcante.
- Mudanças da imigração: novo clima, nova rotina, nova alimentação, adaptação cultural, sono desregulado — o corpo sente e o cabelo responde.
- Alimentação e sono: dietas muito restritivas, jejuns prolongados e noites mal dormidas impactam diretamente o ciclo capilar.
- Uso de medicamentos e outras condições de saúde que interferem no organismo.
O primeiro passo é o diagnóstico
Antes de iniciar qualquer tratamento, suplementação ou medicação, procure um profissional habilitado — dermatologista, tricologista ou médico de confiança que possa solicitar exames e olhar o quadro como um todo. Comprar produtos ou tomar suplementos por conta própria, baseado em recomendações da internet ou de conhecidos, costuma atrasar o tratamento real e, em alguns casos, agravar o problema.
Meu papel como cabeleireiro e terapeuta capilar é cuidar da saúde do fio, do couro cabeludo e da rotina que sustenta esse cuidado. O diagnóstico clínico da queda é competência médica — e é ele que direciona qualquer tratamento que realmente funciona.
Para lembrar
“Um bom tratamento para queda começa pela identificação da causa. Sem diagnóstico, qualquer produto é apenas uma tentativa.”
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Sobre o autor
Lucas Beraldo
Cabeleireiro e terapeuta capilar há mais de 15 anos, especializado nos desafios enfrentados por brasileiros que vivem na Europa — água dura, clima seco, mudança de rotina e cuidado com o couro cabeludo. Escreve a Biblioteca Beraldo como uma referência viva em português.